As herdeiras de Miss Marple e a práxis cotidiana como tática de resistência, de Carla Portilho

“O objeto deste estudo é o romance policial produzido por escritores contemporâneos de origens étnicas e culturais marginais ao centro hegemônico de poder. Pretendo apontar os caminhos trilhados por esses autores na releitura desse gênero consagrado da literatura de massa, e discutir como esses autores não buscam conformar seus textos às fórmulas consagradas pela literatura policial “hegemônica”2 , mas sim marcá-los como textos produzidos na contramão dessa tradição literária. É interessante observar, entretanto, que a própria escolha do gênero inscreve a tradição do romance policial hegemônico e, ao mesmo tempo, estabelece um diálogo com a literatura dita culta, que também já deu sua contribuição à ficção policial – por exemplo, com os contos policiais de Jorge Luis Borges, como “A morte e a bússola” e “O jardim de caminhos que se bifurcam”, e o romance de Umberto Eco, O nome da rosa”

À primeira vista, as narrativas investigativas parecem ser um território plenamente masculino: Dupin, Holmes, Poitot, Spade, Marlowe. Carla Portilho, nesse livro, nos revela um pouco do que há às margens dessa tradição, centrando sua análise nas diferenças que um detetive fora dos padrões – mulher, imigrante, negra – pode imprimir na estrutura do gênero.

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