Configurações da narrativa policial (Dialogarts)

As propostas de reflexão aqui reunidas em torno de diferentes tipos de narrativa policial abarcam questões como conceitos de cultura erudita e de massa, relações entre crítica e mercado, cânone e margens, além da possibilidade de investigação da própria sociedade através de enredos e personagens. O viés da ficção policial constitui uma das modalidades para se pensar a violência e a construção desse imaginário que cerca e amedronta especialmente os habitantes das grandes cidades. O gênero policial já atingiu significativo grau de maturidade dentro do sistema literário, na medida em que logrou relativa autonomia, fruto, entre outros fatores, do grande consumo por parte do público leitor. Nas últimas décadas, por exemplo, são constantes os textos de detetive – seja seguindo o cânone, seja subvertendo-o – que se encontraram entre os mais vendidos no mercado. Dentre esses fenômenos, destacam-se as produções de escritores brasileiros, fato que revela um florescimento das narrativas policiais em nossas letras. Além de algumas dessas obras terem se tornado verdadeira mania, em determinado momento, ultrapassando, portanto, o universo restrito dos aficionados pelo gênero, não se pode deixar de ressaltar o fato de que contos e romances policiais constituem, não raramente, obras de importante fruição na formação do jovem leitor. Além disso, certo é que o gênero policial erige-se esteticamente a partir de procedimentos bastante específicos; vai daí que, em sua multiplicidade, existe um código que sela a perenidade ou não das obras que fazem parte de tal gênero. Estudar as histórias de detetive é, portanto, enveredar por um universo próprio e que arregimenta um critério todo particular de qualidade artística. Malgrado tais fatos, é inegável que a academia ainda não confere a esses textos a mesma amplitude de reflexões e análises ofertadas a produções ditas mais “nobres”. A coletânea de artigos que ora se apresenta pretende conjugar trabalhos acerca das mais variadas vertentes do gênero policial e, dessa maneira, contribuir para o aprimoramento da sua fortuna crítica. Para isso, pretende levar em consideração obras produzidas por escritores de diferentes origens étnicas e culturais, em suas diversas interfaces, desde as produções denominadas de “clássicos” do gênero, elaboradas quando de seu nascedouro, no século XIX, até as publicadas contemporaneamente. Nesse amplo espectro temporal, obras que se estruturam em torno de elementos recorrentes do romance policial – como a figura do detetive e a presença do enigma – merecem especial interesse, visto que, de uma forma ou de outra, pode-se notar um intrincado relacionamento entre este formato e o dispositivo folhetinesco dos novecentos. Por outro lado, também pretende dar voz aos trabalhos que analisam obras que rompem com o cânone detetivesco. Narrativas policiais escritas sob a égide do pastiche e da paródia, por exemplo, constituem objetos de interesse para discutir possíveis sentidos que viabilizaram a proliferação do gênero nos mais diferentes suportes.

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