Poderes especiais da “velhinha” e da “menina da noite”: o caso da apropriação do romance policial pelas minorias (Ricardo Augusto)

O objetivo deste trabalho é discutir e comparar a representação de Miss Marple, a
detetive solteirona (“spinster detective”) de Agatha Christie, com a representação de Blanche
White, a faxineira-detetive negra de Barbara Neely. Desde a sua origem, e até a chamada “Era
de Ouro”, na primeira metade do século XX, o romance policial não era visto como um
espaço de grandes reflexões políticas, por atender a demandas essencialmente burguesas,
trazendo aos leitores o conforto de uma sociedade que punia os malfeitores para manter seu
status quo, de acordo com a estrutura da consolação de Umberto Eco. Em 1930, Agatha
Christie traz a público uma detetive mulher, idosa e “solteirona” (Miss Marple) de modo a
discutir questões mais profundas que o mistério em si; entretanto, o gênero como um todo
carecia da representatividade das minorias. Em 1992, Barbara Neely, em seu romance
Blanche on the Lam, leva a discussão a níveis mais profundos ao apresentar ao leitor a
“signifying detective” (signifying, aqui, entende-se como o conceito discutido por Henry Louis
Gates Jr) uma detetive que utiliza táticas a partir de sua condição de mulher, negra, pobre e
trabalhadora para desvendar os mistérios. Tática, segundo Michel De Certeau, seria a
apropriação pelo fraco de forças que lhe são estranhas para subverter sua posição
desprivilegiada, como por exemplo, através do uso do black vernacular no romance de Neely.
Assim, o enigma, elemento essencial do romance policial clássico, é relegado a segundo plano
e a discussão das questões sociais, das relações de poder e, principalmente, da invisibilidade
das minorias étnicas, sociais e políticas se tornam tão importantes quanto. Este trabalho
procura aprofundar essatemática sobre a “signifying detective” comparando-a com o detetive
clássico e com a “spinster detective”.

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