Resenha sobre Morte no Nilo (1937), de Agatha Christie (Ricardo Augusto Gonçalves)

Sir Isaac Newton uma vez disse: “Se eu vi mais longe, foi por estar sobre ombros de gigantes.” e a frase aplica-se perfeitamente à escritora Agatha Christie. Apoiada na estrutura de romance policial desenvolvida e consagrada nas obras de Edgar Allan Poe e Arthur Conan Doyle, a Dama do Crime, como ficou conhecida, foi mais longe. Suas criações, destacam-se o detetive Hercule Poirot e a “velhinha” Miss Marple, certamente, elevaram o gênero a um novo patamar de popularidade, tais anos ficaram conhecidos como a Era de Ouro das narrativas de detetive.

Dentre as inúmeras obras da autora, Morte no Nilo (1937) é uma das mais famosas e está novamente em evidência por ser a segunda obra a ser transposta para o cinema nesta nova onda de adaptações capitaneada por Kenneth Branagh. Em 2020, por conta do centenário da publicação da primeira obra de Agatha Christie O Misterioso Caso de Styles (1920), a editora Harper Collins Brasil preparou  novas edições de suas obras, com novas traduções, um novo projeto gráfico e notas e comentários para torná-las mais acessíveis ao grande público.

 O livro é dividido em duas partes: a primeira, assim como o xadrez, coloca as peças no tabuleiro, ou seja, apresenta os personagens e mostra as motivações que eles têm para viajar ao Egito; e a segunda, é a história dos acontecimentos da viagem ao Egito, incluindo o assassinato de um dos passageiros do barco. O crime não tira férias e nem o famoso detetive belga que tentava tirar um merecido descanso quando a tragédia acontecera.

A escritora foca a ação em torno de um triângulo amoroso: Linnet Ridgeway, Simon Doyle e Jacqueline de Bellefort. As duas personagens femininas, Linnet, uma moça jovem, rica e solteira, e Jacqueline, namorada de Simon Doyle, igualmente jovem, mas muito mais humilde que Linnet, eram amigas até esta última apresentar o namorado. Simon se apaixona por Linnet e casa-se com ela e Jacqueline acusa a amiga de roubá-lo dela. Na lua de mel, Simon e Linnet decidem fazer a viagem ao rio Nilo e, para a surpresa do casal recém-casado, eles encontram Jacqueline que quer atormentá-los e resolver a contenda com os dois. No cruzeiro pelo Nilo, Linnet Doyle (nome de casada) é encontrada morta e chamam Poirot para desvendar o crime.

Diferentemente de Poe e Doyle, Agatha Christie constrói a investigação, além das provas materiais, a partir da observação do comportamento, das atitudes e da psiquê dos personagens. Todos que estão no navio têm alguma ligação direta ou indireta com o assassinato e há outros crimes sendo cometidos durante a investigação e é claro que, no final, o detetive belga lança luz a todos os mistérios desta perigosa viagem. Mas como, então, o famoso detetive belga consegue solucionar mais este caso?

Agatha Christie comenta no prefácio do livro que este é um dos melhores livros que ela escreveu sobre viagens ao exterior e que “as histórias de detetive são “literatura escapista” (…) o leitor pode escapar dos confins de sua poltrona tanto para céus ensolarados e águas azuis quanto para crimes”. Então, leia o livro, viaje pelo Rio Nilo e aproveite este delicioso crime.

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2 comentários sobre “Resenha sobre Morte no Nilo (1937), de Agatha Christie (Ricardo Augusto Gonçalves)

  1. Adorei a resenha. Tenho relido Agatha Christie e as boas resenhas sempre me animam. Obrigada.

  2. Adorei a resenha. Tenho relido Agatha Christie com cuidado e encontrado detalhes muito interessantes para o romance policial. Uma boa resenha é sempre um convite a leitura ou releitura!

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