As narrativas criminais na literatura brasileira (Pedro Sasse)

A crítica brasileira sempre apontou para uma ausência ou escassez da produção nacional enquadrada no gênero conhecido como romance policial. Nossa literatura, no entanto, se vê pródiga em obras que dialogam com o crime desde seu surgimento, não através da difundida figura do investigador que vemos nas obras mais populares do gênero, mas através de narrativas centradas em criminosos e/ou suas vítimas. Levando em conta que os estudos mais recentes do gênero não mais pensam no dito romance policial como, de fato, apenas romances e apenas centrados na figura de um agente da lei e da ordem, mas como um gênero que abrange toda a ficção que toma o crime como um elemento central – denominado crime fiction pela crítica anglófona contemporânea –, é possível repensar a alegada ausência ou escassez do gênero no país como um problema conceitual: tivemos sim uma forte tradição do romance policial no país, desde que o entendamos não através da categoria cristalizada no senso comum, mas de um conceito atualizado pela crítica especializada. Para que seja possível sustentar tal afirmação, essa pesquisa precisa atingir dois objetivos: (I) apresentar um panorama das mais recentes pesquisas na área da crime fiction voltadas para uma reflexão sobre o subgênero centrado não nos investigadores, mas nos criminosos e suas vítimas, culminando na construção do conceito de narrativa criminal; (II) traçar um breve panorama da tradição da narrativa criminal no Brasil, apontando as diversas vertentes que, ao longo do tempo, esse subgênero assumirá no país. Por um lado, tal estudo busca aproximar o Brasil das reflexões atuais sobre a crime fiction feitas em um âmbito internacional, quebrando o mito de que o país teria sido um consumidor passivo do romance policial estrangeiro; por outro, espera-se que esse trabalho possa colaborar, também, para uma reflexão sobre a própria produção nacional, seja revalorizando obras de pouca atenção crítica, seja dando uma nova perspectiva para obras estudadas em outros campos dos estudos literários.

Para ler a tese na íntegra, clique aqui.

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